Seu telefone pode revelar se você tem depressão

Quanto mais tempo você passa utilizando o smartphone, maiores as chances de estar deprimido. Essa foi a conclusão de um pequeno estudo realizado por pesquisadores da Universidade de Northwestern, publicado no Journal of Medical Internet Research. A média diária de uso por indivíduos deprimidos foi de cerca de 68 minutos, contra 17 minutos dos que não apresentavam sintomas de depressão.

“Quando passam mais tempo utilizando o smartphone, as pessoas acabam evitando pensar em coisas que as incomodam, sentimentos dolorosos ou relações conturbadas”, explica o autor senior do estudo David Mohr, diretor do Centro para Tecnologias de Intervenção Comportamental na Universidade de Northwestern. “É um comportamento de afastamento que percebemos na depressão”.

Passar a maior parte do tempo dentro de casa ou em poucos locais (como indicado pelo rastreamento por GPS) também pode estar ligado à depressão. O mesmo vale para uma rotina desregulada, como ir para o trabalho em horários diferentes a cada dia.

Foram analisadas as localizações de GPS e o uso dos smartphones de 28 indivíduos (20 mulheres e 8 homens, com idade média de 29 anos) por duas semanas. Os sensores de GPS faziam o rastreamento das localizações a cada cinco minutos.

“A implicância disso é que poderíamos detectar se uma pessoa tem sintomas de depressão e a gravidade deles sem fazer quaisquer perguntas”, diz Mohr. “Nós temos agora uma medida objetiva do comportamento relacionado à depressão. E nós podemos detectá-lo passivamente. Os smartphones podem fornecer dados de forma discreta e sem nenhum esforço do usuário”.

Detecção passiva

Para determinar a relação entre o uso do telefone e a localização geográfica com a doença, os indivíduos responderam, antes do estudo, um questionário padronizado e utilizado amplamente para casos de depressão. O PHQ-9, como é conhecido, contém perguntas buscando avaliar os níveis de tristeza, perda de prazer, desesperança, distúrbios do sono e de apetite e dificuldade de concentração de cada paciente.

Com as respostas em mãos, Saeb desenvolveu algoritmos correlacionando os dados obtidos pelos smartphones com os resultados dos testes de depressão. Entre os participantes, 14 não possuíam quaisquer sinais de depressão, enquanto os outros 14 apresentavam sintomas que variavam de leve a depressão grave.

“O objetivo da pesquisa é detectar passivamente a depressão e diferentes níveis de estados emocionais relacionados a ela”, diz Saeb. Para ele, a pesquisa poderia ajudar a monitorar as pessoas em risco de depressão e permitir que os prestadores de cuidados de saúde possam intervir mais rapidamente.

“Vamos ver se podemos reduzir os sintomas da depressão incentivando as pessoas a visitar mais locais ao longo do dia, ter uma rotina mais regular ou simplesmente reduzir o uso de celulares”, conclui.

Fonte: Portal Namu

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